dilluns, 6 d’octubre del 2014

no tempo em que JoSo de Deus andava em Coimbra, havia na Lusa-Athenas, que é terra de mulheres bonitas, duas se- nhoras muito formosas, que eram irmãs, — uma chamada Rachel e a outra Cândida. A Rachel, princi- palmente, diz que era uma divindade; e a mocidade da Academia, sobretudo os poetas, bebiam os ares por ella ! Não era branca nem morena : tinha uma côr de bronze, de uma suavidade encantadora, nariz grego, e então uns olhos extraordinários, avelhi- dados, muito brilhantes e pestanudos, que eram a perdição da rapaziada ! Os pretendentes eram assim — aos cardumes... E cabeça de rapaz sobre a qual esses olhos admiráveis pousassem por um instante, mesmo casualmente, era cabeça perdida; porque en- trava logo de andar á roda, como se fosse uma ven- toinha, e o menos que lhe acontecia era rebentar n'uma catadupa de versos — que nem sempre, diga-se a verdade, eram condignos da inspiradora...Ora o João de Deus pertencia á ala dos namorados d'essa divindade, se bem que nunca lhe fallasse ; e tanto que a mng^estosa Rachel ficou seodo para elle uma espécie de Musa. como para o Camões a Catha- rina, para o Dante a Bea- triz, a Laura para o Pe- Irarcha, para Miguel Angelo Victoria Golonna, etc, etc. Fez-Uie muitos versos, e aquelta poesia a vida que a n^o ha mais linda em todo o mundo ; e fcz-lhe depois, quando ella moi^ reu, aquella elegia que tem uma das mell)ores coisas que o génio Immano tem produzido, e que Joflo de Deus, por signnl, improvi- sou n'uma toirada, alheio, vário, absorto, estranho ao mais foi'midavel chinfrim que se tem desencadeado n'uma praça de toiros ! Soubera a noticia da morte quando ia para lá; chegou O Secretario e amodorrou - se a um canto ; e quando se deu fé que a praça de toiros tinha desabado, revolvida, de- baixo para cima, pelo furacão da rapaziada, foi dar com elle o JoSo Vilhena, o seu fiel Achates, no mesmo logar onde o deixara, e que por milagre tinha escapado ! Pegou-lhe por um braço e levou-o d'alli. como se estivesse doido ou a dormir.. RESURREXIT NON EST HICNão vira nada; não ouvira coisa nenhuma; desa- bara a praça e elle a sonhar! Mas depois, chegado a casa, dictou d um jacto a soberba elegia, qiie o João Vilhena, absorto deante de tal maravilha, escreveu sem o perturbar, com os olhos vidrados de lagri- mas... Despe o luto da tua soledade E vem junto de mim, lírio esquecido Do orvalho do céo ! Tens nos meus olhos pranto de piedade, E se és, mulher, irmã dos que hão sofrido, . . Mulher, sou irmão teu. Até ao fim !Ora mas até me parece que foi por causa d'essa mulher, da sublima e divina Rachel, que João de Deus nunca atremou com a vida de Coimbra, le- vando a formar-se dez annos, — « tantos quantos durou o cerco de Troya », como elle dizia ! Segundo a melhor versão, que era ainda a delle, João de Deus chegou de Messines a Coinibra em Março de 1849. Não levava exame nenhum, porque só tinha aprendido Latim com um padre do Algarve, e não sabia mais nada ! Mas passado um mez, eil-o que faz no lyceu de Coimbra o seu exame de instruc- ção primaria onde lhe perguntaram o Padre-Nosso, e na primeira epocha de exames, não está lá com meias medidas : — faz d uma assentada os preparatórios todos, e em Outubro entra para a Universidade— Tu que andas aqui a fazer, á João ? — pergun- tou-lhe o rapaz. — Perdeste alguma coisa ? — Perdi o anno. Ando a vêr se o encontro — respondeu-lhe o João. O outro ofereceu-se : — Homem, se tu queres eu digo a meu tio que te abone as faltas, quando se reunir a congregação !

como queiras. O anno foi o que sabes. 
O Rodrigo (era o Rodrigo da Fonseca, então ministro do 
reino) até mandou dizer para a Universidade que 
não apertassem nos actos este anno, — e eu assim 
talvez passasse ! Mas o diabo são as faltas ! 

— Deixa ! Eu fallo a meu tio. 

Mas as coisas complicaram-se I Aquelle visconde, 
que regia Direito Gommercial, não exigia dos rapazes 
grande applicação, mas queria-os muito sérios dentro 
da aula, ou ao menos que fingissem de sérios... 

Por desgraça, um dos discípulos do visconde, um 
Folhadella do Porto, era um cábula como não havia 
segundo ! Não estudava palavra, nem estava com 
ceremonias : entrava com o bedel quando o bedel ia 
marcar as faltas, e sahia logo atraz do bedel ! Isto 
todos os dias, infallivelmente, sem falhar um ! O vis- 
conde fazia vista grossa; mas lá por dentro, azoava 
com a historia, e tinha-a ferrada de não deixar ir o 
rapaz a acto, no fim do anno ! 
 
 
E debaixo um ratão de mitra e becca 
Empunhando com geito uma caneca. 

O régio pregador do primeiro anno 
Vae pregando um sermão a São Magano : 

Leva ao lado o chaguitas caganitas(1)
 ou o Fogaça (2) 
A tocar-lhe ao ouvido uma cabaça. 

Vão também com o traje dos anginhos 
Os novatos mais bellos e tenrinhos. 

Um conduz uma táboa veina ao peito 
como emblema das aulas de Direito. 

Mais atraz como symbUo da sebenta 
Leva um outro uma chave ferrugenta. 

P'ra levar a tesoura do Paixão (3) 
Vae um anjo maior : vae o Simão. 

O Papá e a Mamã, muito abraçados, 
Vão fallando dos seus amor's passados. 

-- Segue então toda a musica Zé-P'reira 
Disposta tal e qual d'esta maneira : 

Um musico no centro a tocar bombo 
c'uma c'roa e um manto régio ao lombo. 

Em redor mais alguns de capacetes ou cacetes
com tambor's, cornetins e clarinetes. 



Mário Pinheiro Chagas, agora advogado em Lisboa. 

 António Fogaça, o poeta das Orações do Amor, 
que falleceu sendo estudante... 

O célebre alfaiate da rua Larga, 
regenerador, de bigode com 
pêra e grande fallador.. 

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