dissabte, 25 de setembre del 2010

CRÓNICA DOS NÚMEROS NA GUERRA

Os números nunca falam dos que foram enforcados, pretensamente como espiões, civis desarmados ou armados com uma zagaia que podiam ou não estar a soldo dos outros europeus, não fala das colheitas falhadas, das populações em fuga
porque os negros que foram as principais baixas da guerra, não constam nas estatísticas

terceira expedição para Moçambique, a maior de todas (128 oficiais e 4356 praças), partiu de Lisboa em sucessivos navios, Maio a Julho de 1916, sob o comando do então Coronel Ferreira Gil.(significa que a guerra lhe foi benéfica e pródiga em ascensão social e proventos pecuniários)
os negros apanhados a roubar provisões ou suspeitos de tal
apanhavam uma bala (poucos) ou a corda (quantos)
uma carta descreve a chegada a Moçambique, um tal de Tó matou um, talvez estivesse a roubar, talvez o dito cujo quisesse chamar a atenção para si ao matá-lo
a carta em letra miudinha de Setembro fala mais do tempo e das léguas que se faziam em 3 ou 4 dias de marcha que das gentes, há palavras e números cortados

esses números que são preciosos numa guerra
a expedição contava com 3 Batalhões de Infantaria, 2 batarias de artilharia, 3 de metralhadoras 2 de engenharia e um hospital provisório.
A estas forças juntaram-se as tropas da segunda expedição e ainda 10 companhias de recrutamento local, e operaram em território da África Oriental Alemã até Dezembro desse ano. O Major Moura Mendes passou a comandar a Artilharia.

O comando militar português não tendo em atenção as lições que deveriam ter sido aprendidas nas anteriores expedições, não corrigiu os erros cometidos até então, pelo que o primeiro navio da terceira expedição, quando chega a Tungué, encontra um cenário do desembarque e do acantonamento das tropas semelhante ao das expedições anteriores e uma situação sanitária catastrófica.
Depois do desembarque era ainda necessário completar a instrução de combate.

O General Smuts, sabendo da chegada da nova expedição portuguesa, pede, em telegrama datado de 8 de Julho de 1916, uma ofensiva a norte do Rovuma. Ferreira Gil, que tinha instruções para invadir a Ostafrika alemã e para ocupar os diversos portos até à proximidade do rio Rufigi, responde com a necessidade de concentrar forças antes de efectuar qualquer operação, mas acabará por ceder às insistências do General Smuts a que se acresciam as fortes pressões governamentais.
Lisboa estava mal informada, para ela Lettow Worbeck estaria a retirar, porém a realidade era bem diferente.


Com 3 colunas e cerca de 4000 Homens, com o apoio de 10 metralhadoras e 14 peças, as forças de Ferreira Gil atravessam a fronteira fluvial a 19 de Setembro , as forças portuguesas enviam uma das colunas no encalce dos alemães até Nevala (200 Km a Norte), que Ferreira Gil manda conquistar.
Este posto será ocupado sem combate a 26 de Outubro. O número de enforcamentos,umas centenas feitos entre populações esfaimadas, a quem retiraram gado e destruiram
colheitas só é marginalmente referida num conto de Bourbon de Meneses

De Nevala, a 8 de Novembro, sai uma coluna (aproximadamente 1000 homens) em direcção a Lilundi. Esta força comandada pelo Major Leopoldo da Silva, acaba por ser emboscada no Kiwambo. Nevala fica isolada e será atacada a 22, acabando por ceder a 28 desse mês, pondo-se os sobreviventes em fuga para o Sul do Rovuma. A operação ofensiva portuguesa saldara-se assim num fiasco e numa derrota.

Em Nevala, um espólio de toneladas de mantimentos, armamento (4 canhões de 75,7 metralhadoras Maxim) equipamento (dois camiões FIAT) e munições fica para os alemães.

Os alemães, após Nevala, iniciam um contra-ataque para Sul expulsando as forças de Ferreira Gil, que regressou a Portugal a "(...) pretexto de uma oportuna doença e o Governador-Geral, Álvaro Xavier de Castro assume o comando directo das forças e transfere a Base de Palma para Mocímboa da Praia, o que implicou a construção de novas instalações.

Esta área pantanosa trouxe consequências graves para o estado sanitário e para a vidas das tropas, pelo que, o mesmo Governador ainda tentou transferir os contingentes para Chomba, a 141 Km para o interior e a 800 m de altitude, em pleno planalto maconde, que na altura estavam sublevados e que por isso também foram enforcados às dúzias (quantos morreram de fome e de doença? não interessa

Apesar da pausa nos combates provocada pela estação das chuvas, os Aliados continuavam a avançar para o Rovuma, empurrando os alemães cujas forças estavam quase intactas.

Em Agosto de 1917, as forças portuguesas são reforçadas com unidades da metrópole e mudam de postura, passam à defensiva ao longo do Rovuma, através de uma linha de postos, cometendo novamente o erro de dispersar as forças ao longo de centenas de quilómetros.
Nesta altura, o reforço contava com 3 aviões monomotores Farman, porém, o facto de o aparelho do tenente Sousa Gorgulho sofrer um acidente e na mesma altura adoecer um dos principais mecânicos levam à paralisia operacional da esquadrilha.

capitão Von Stuemer, para leste do lago Niassa em busca de mantimentos e equipamentos e com instruções para viver tanto quanto possível exclusivamente do inimigo .

Atravessado o Rovuma, Von Stuemer apodera-se do posto de Mitomoni, e em poucas semanas ocupou toda a região dos ajauas e respectiva periferia: Mataca, Metarica, Serra Mecula, Mwembe, Mluluca, Maúa, Metarica e Mandimba - Neste período, os portugueses enfrentavam a revolta do Barué, na Zambézia, situação que para sua SORTE, não foi aproveitada pelos alemães.

Esta primeira invasão de Abril a Setembro, além de ter servido para recolher meios de subsistência de diversa ordem,
não se diz donde vieram esses meios de subsistência mas adivinha-se

terá sido um reconhecimento em força preparatório de uma grande invasão a partir de Novembro.



A 2 de Novembro, uma força alemã, aquilo que podemos considerar de guarda avançada, toma o posto de Nangar. A 25 do mesmo mês, Lettow Worbeck ao comando de 300 europeus e 1700 Askaris e 3000 carregadores com as respectivas famílias que também morriam pelo caminho, atravessa o Rovuma a vau perto do posto de Negomano e entra no território de Moçambique.

Negomano é conquistado sem grande dificuldade, sucumbindo o seu comandante, Major Teixeira Pinto, nos primeiros minutos de combate. Com grande parte da guarnição em fuga, os alemães apoderam-se mais uma vez dos preciosos víveres, munições e das valiosas Mauser de 1907.

Depois de conquistar Negomano, Lettow Worbeck subdivide a sua coluna em diversos destacamentos, constituindo aquilo a que René Pélissier designou por "(...) uma longa serpente central muito móvel, cujas contorções foram o pesadelo do Exército inglês e acessoriamente, do português.
A POÉTICA DA MORTE Já VEM do DA BELLO GALLICO

Gallia est omnis divisa in partes tres, quarum unam incolunt Belgae, aliam Aquitani, tertiam qui ipsorum lingua Celtae, nostra Galli appellantur. Hi omnes lingua, institutis, legibus inter se differunt. Gallos ab Aquitanis Garumna flumen, a Belgis Matrona et Sequana dividit. Horum omnium fortissimi sunt Belgae, propterea quod a cultu atque humanitate provinciae longissime absunt, minimeque ad eos mercatores saepe commeant atque ea quae ad effeminandos animos pertinent important, proximique sunt Germanis, qui trans Rhenum incolunt


Os alemães continuaram sempre para Sul pilhando tudo e recolhendo o que podiam de víveres, armamento e munições. Que tinham de vir de algum lado pois a comida não cresce nas àrvores, por acaso....até cresce



Em Dezembro de 1917, os alemães já tinham abandonado a região em direcção a Sul, atravessando zonas até então consideradas intransitáveis no período das chuvas.

Se a primeira invasão alemã não pode ser relacionada com a submissão dos macondes, a segunda invasão viria reacender a dissidência dos portugueses com os Ajauas e inflamar a resistência macua-lomué e, perifericamente, teria efeitos no sector suaíli .

os alemães aproveitam para ocupar uma série de pequenos postos, incluindo Nhamacurra (ou Kokossani), local muito próximo de Quelimane e onde estava sediada a Companhia do Boror. Nahmacurra, um eldorado de mantimentos e munições, fora indicada aos alemães pelas populações.

1 e 3 de Julho a Schutztruppe vence a mais forte posição aliada em Moçambique, Nhamacurra, onde infligem pesadas baixas à força anglo-portuguesa. No comando desta posição estava o tenente coronel Gore Brown dos King´s African Rifles. No final do combate, o precioso espolio de armamento, equipamento, mantimentos e medicamentos foi aproveitado para suprir as faltas logísticas alemãs e o que não foi possível aproveitar foi simplesmente queimado.

o Governador-Geral, Pedro Massano de Amorim, numa verdadeira economia de forças, aproveita a oportunidade para as deixar na costa para depois as poder utilizar na reocupação do território e submissão das revoltas .

Depois de Nhamacurra, como já tinha feito em Nampula, Lettow Worbeck evita a cidade de Quelimane e inflecte para nordeste, seguindo paralelamente à costa e, evitando, sempre o contacto com as forças que os perseguiam, dirige-se para Angoche, de onde parte em direcção a Oeste. A 24 está a atravessar o rio Licungo, a 4 de Setembro o rio Lúrio, em Mtetere. O Lugenda foi passado próximo de Luambala e a 28 do mesmo mês o Rovuma, 30 km a Leste de Mitomoni, de volta à Ostafrika (48).

O Coronel Sousa Rosa que assumira a defesa de Quelimane é exonerado e substituído em Julho pelo tenente-coronel Alberto Salgado, sendo o sexto comandante desde o começo da guerra.

Lettow Worbeck actuava sobre os prisioneiros e sobre as populações de uma forma pouco usual. Quer por insuficiência de meios quer por intenção deliberada, aos prisioneiros, centenas, libertava-os de imediato com a promessa de não mais voltarem a pegar em armas contra os alemães. Depois procurava conquistar a adesão das populações e instigar à sua revolta contra os Aliados, chegando a armá-la. As populações além de cederem alimentos, mulheres e guias, serviam ainda de órgão de informação sobre o dispositivo Aliado (49).



Balanço Possível
Apesar de em 1919, através de deliberação do Tratado de Versalhes, Portugal ter obtido o reconhecimento, pelos aliados, da incorporação de um território de que se considerava o proprietário legítimo (o Triângulo de Quionga), a Guerra em Moçambique, do ponto de vista militar, foi um desastre. Nenhum objectivo militar foi alcançado, o inimigo efectuou duas invasões, uma de seis meses e outra de 10, as baixas foram consideráveis - 2007 portugueses (9,8% das forças mobilizadas) e 2804 indígenas (50), e as populações locais sublevavam-se e apoiavam o inimigo logisticamente e ao nível de intelligence .

As justificações para este desastre são inúmeras mas destacamos as seguintes:

• Em Portugal a sociedade estava dividida quanto à beligerância ou não, incluindo o próprio corpo de oficiais, os governos eram também sucessivos, e algumas das forças expedicionárias foram propositadamente enviadas por forma a mantê-las afastadas da metrópole;



• As tropas não estavam mal apetrechadas, faltava-lhes sim preparação, coordenação, organização e um bom apoio sanitário;

• Entre os portugueses a valsa do comando foi significativa;

• Deu-se uma resposta convencional a um inimigo que actuava subversivamente com uma táctica de guerrilha, sem objectivos fixos, e sem alvos territoriais.

Lettow Worbbek, adoptando uma táctica de guerrilha, um emprego massivo das metralhadoras, de acções de reconhecimento e com grande qualidade de comando, foi derrotando sistematicamente todas as forças que enfrentava, evitando sempre o combate quando em situação desvantajosa sendo que após um percurso de milhares de quilómetros, conseguiu assegurar o seu objectivo ao longo de toda a Guerra: o de não ser capturado

Os alemães sofreram inúmeras baixas em combate mas a maioria foi afectada pelas doenças como a varíola e a pneumónica; no total perderam 45% do efectivo europeu e 90% de Askaris

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